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ETP de TIC

O Estudo Técnico Preliminar em contratações de tecnologia, seção por seção

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Atualizado em
Nesta página (4 seções)
  1. As dezesseis seções
  2. O custo total, e não o preço da nota
  3. Erros que travam o processo
  4. Duas coisas que economizam tempo

O ETP demonstra a viabilidade técnica e econômica de uma contratação de tecnologia. Está previsto no artigo 18, parágrafo 1º, da Lei 14.133/2021, é detalhado pela IN SGD/ME 94/2022 e é obrigatório para toda contratação de solução de TIC no âmbito do SISP.

Não é formalidade: é o documento que registra por que a escolha foi feita e quais alternativas foram descartadas. Em auditoria, é o que sustenta a decisão.

As dezesseis seções

  1. Descrição da necessidade. O problema que a contratação resolve, escrito em termos de negócio e não de tecnologia. “Garantir a continuidade dos serviços de rede”, e não “comprar switches”.
  2. Área requisitante. Quem demanda e por que tem competência para demandar.
  3. Necessidades de negócio. Os requisitos funcionais, expressos como capacidades esperadas.
  4. Necessidades tecnológicas. Os requisitos técnicos que derivam das necessidades de negócio: compatibilidade, desempenho, segurança, interoperabilidade.
  5. Demais requisitos. Legais, de sustentabilidade, de segurança da informação, de capacitação.
  6. Estimativa da demanda. Quantidade com memória de cálculo: parque instalado, projeção de crescimento, vida útil.
  7. Levantamento de soluções. No mínimo três alternativas viáveis, incluindo solução de mercado, software livre e desenvolvimento interno.
  8. Análise comparativa. Critérios objetivos para comparar: funcionalidade, custo, risco, prazo.
  9. Soluções descartadas. Registro formal do motivo de cada alternativa não escolhida.
  10. Análise de custos. O custo total de propriedade em cinco anos: aquisição, implantação, operação, suporte e eventual descarte.
  11. Descrição da solução escolhida. Especificação completa, com o código CATMAT ou CATSER.
  12. Estimativa de custo. Valor de referência, com as fontes.
  13. Justificativa técnica e econômica. Por que esta solução tem a melhor relação custo-benefício.
  14. Benefícios esperados. Indicadores mensuráveis de resultado.
  15. Providências prévias. O que precisa acontecer antes: infraestrutura, capacitação, migração.
  16. Declaração de viabilidade. A conclusão formal da equipe de planejamento.

O custo total, e não o preço da nota

A seção 10 é a que mais costuma sair errada, porque é tentador considerar só o valor de aquisição. O custo total de cinco anos precisa incluir:

  • Licenças anuais e renovações
  • Suporte e manutenção, no nível de serviço contratado
  • Treinamento da equipe que vai operar
  • Infraestrutura adicional que a solução exigir
  • Migração dos dados e do estado atual
  • Descarte, quando houver

Uma solução com aquisição barata e suporte caro perde para a mais cara na compra em menos de três anos, e é isso que o ETP precisa mostrar com número.

Erros que travam o processo

Nenhum destes deve estar presente

  • ETP copiado de outro processo, sem adaptar à realidade atual.
  • Apenas uma solução apresentada, sem comparativo real.
  • Necessidade descrita em termos de marca ou produto específico.
  • Custo total omitido, considerando apenas a aquisição.
  • Classificação CATMAT ou CATSER ausente.
  • Requisitos de segurança da informação esquecidos, incluindo LGPD.

Duas coisas que economizam tempo

Defina a classificação já no início do ETP, e não no fim. Ela condiciona a pesquisa de preços, que busca contratações similares pelo código, então descobrir o código depois costuma obrigar a refazer a estimativa de valor.

Documente conversa técnica com fornecedor. Consulta sobre viabilidade é legítima e útil na fase de levantamento de mercado, mas precisa virar ata, com data e participantes, senão vira dúvida sobre tratamento isonômico mais adiante.